9 min · G · From DeZenhus
Porquinho Huxley, agora vestido de palhaço, sonha em se apresentar no circo com seu amigo Sam. Eles se preparam para um número duplo, enquanto enfrentam os desafios e as expectativas da vida circense.
O Porquinho Huxley Com a voz de Celso Alves O Palhaço O Porquinho Huxley havia acabado de colocar a roupa de palhaço. Ele estava bastante alegre. E então ele viu o bambolê. Veja, Sam, fique olhando. Agora, aqui vamos nós! O que? Ah, é mesmo, eu deixei cair. Agora fique olhando, Sam. Segure o meu chapéu, sim? Ora, Sam, pare de bagunçar. É isso que eles fazem no circo. Eles chamam de trampo... trampo qualquer coisa. Eu vou te mostrar. Gostei da sua cambalhota, Sam. Será que podemos entrar para o circo, Sam? Você e eu num número duplo? Pense bem. As luzes diminuem, as cornetas tocam. E lá estamos nós, no centro do picadeiro com o diretor. Rufam os tambores. E começamos nosso ato. Eu fico pensando em como seria. Ei, chega pra lá, Sam. Oh, veja. Isso é maravilhoso. Este é o lugar ideal pra mim. Oh, veja, Sam, lá em cima. A cor da bamba. Vem, vamos ver o que... Ah, esta aqui é uma cama... cama... Ah, tanto faz. Ah, dá um tempo, Sam. Eu vou experimentar. Porquinho Huxley, o que está fazendo aqui? Olá, Horácio. O Sam e eu estamos... Espero que não esteja mexendo nos meus equipamentos. Ah, claro que não. Não toquei em nada. Foi feito especialmente pra mim e não pra gordos como você. Eu não sou gordo. Eu nem tomei café da manhã. Você vai entrar para o circo? Ah, sim. Se o diretor gostar do nosso número duplo. Você e esse pássaro? Eu vou fazer o número solo. Horácio Destemido. É como me chamam. O astro da cama elástica. O que você faz exatamente? Eu fico pulando, dou cambalhotas e o público fica aplaudindo. Então faço de novo e eles aplaudem ainda mais. Mostra pra gente, vai. Certo, eu vou. Este é um salto pra frente. E agora este é um salto pra trás. Aposto que essa foi uma cambalhota. Muito engraçado, Huxley. Eu tenho certeza que... Muito bem. Quem nós temos aqui? É o Porquinho Huxley e a Gaivota Sam. Eles querem entrar para o circo. A vida no circo é muito difícil, meus amigos. Muitos atos, eles vão e vêm. Semana passada tive que dispensar a bola de canhão humana. O quê? Ele foi demitido? Foi. E o engolidor de espadas está na cadeia. É mesmo? O que ele fez? Ele pegou um resfriado, espirrou e acertou uma pessoa. Caramba, ele devia ter usado um lenço. Mas como eu ia dizendo, os banheiros... E os elefantes foram embora. Aposto que não quiseram receber amendoins como pagamento. Sei lá, fizeram as malas e partiram. Bem, o Sam e eu... Ah, sim. E perdemos o circo de pulgas. O que aconteceu? Um homem trouxe o cachorro que roubou o espetáculo inteiro. Bem, amigo, o que tem para nós? Eu estava querendo dizer que... Ele dá um ótimo palhaço, você não acha, Horácio? Dá sim. Um na média. E o Sam pode fazer truques maravilhosos. Claro. Ele sabe desaparecer. Ora, ora. O que eu preciso é um ato maravilhoso que deixe o público sentado na ponta da cadeira. Assim como eu. Não fique convencido, Horácio. Só porque você aterrissou na orquestra ontem à noite não faz de você um astro. Eu não sou um astro? Oh, então estou fora. Não liguem para o melindroso do Horácio. Agora, amigo, que negócio é esse de número duplo? Bem, o Sam aqui... Não me diga que ele faz o número de ciclismo. Não, ele não tem pernas para isso. Ele engole espadas? Não, ele não tem estômago para isso. Bem, o que está esperando? Mostre logo, rapaz. Está pronto, Sam? Aqui vou eu. Fantástico. Agora de costas, Sam. Agora não mortal. Oh, muito inteligente. Isso sim. Agora toque a corneta, Sam. O que devo tocar? Qualquer coisa. Popular ou clássico? Você escolhe. Falou. Ai, meu Deus do céu. Isso não parece música. Como assim? Está ótimo para uma gaivota. Oh, eu entendi. E você tem mais? Tem sim. Toque de novo, Sam. Não, não. Eu quero dizer, o número é só isso? Tem mais. Eu vou buscar. Você toca muito mal, Sam. E o que ele foi pegar? Espere e verá. Está bom aqui? Muito bem, Sam. Está pronto para começar a jogar? Ah, o número de jogar a faca. Que maravilha. O público adora um pouco de perigo. Ah, não, não, não. Você não está certo. Você está entendendo. Não quero ver seu número agora. Não queremos que ninguém se machuque antes da apresentação desta noite, não é? Ah, mas realmente, sinceramente, é que... Estejo aqui às sete e em ponto. Em ponto, está bem. Ah, mas é que... Você vai poder fazer sua brincadeirinha, porquinho Huxley. Você me mata. De verdade. É o seguinte. Só que eu não posso me apresentar de estômago vazio. Vamos almoçar, Sam? Isso está terrível. Ele precisa sair. Respeitável público, pedimos desculpas pela apresentação desta noite de Horácio Destemido. Ele não está se sentindo bem. E agora, senhoras e senhores, um número novo que irá deixá-los de boca aberta, com certeza. O porquinho Huxley e seu parceiro, a gaivota Sam. O momento pelo qual todos nós estávamos esperando. Um número de jogo de facas que desafia a morte. Não, não, companheiro. É chiclete. Chiclete? É mais seguro. É claro que tive de mastigar para deixá-lo mais grudento. Vamos lá. Senhoras e senhores, uma leve correção. E agora, um número de jogar chiclete que desafia a morte. Ai, ai, ai, ai. Ele fez. Obrigado pela salva de palmas, senhoras e senhores. Você e seu chiclete ridículo. E esse pássaro idiota. Você me paga. Ai, ai, ai. Desculpe, senhor. Você me paga porquinho Huxley. Espere aí. Espere só até eu te pegar. Você roubou meu espetáculo. Parem com isso. Ei, sai da minha cama elástica. Vamos. Eu vou te pegar. Espere. Pare. Ai. Sabe, Horácio. Nós somos todos nisso. Somos? Não somos? Sabe, Horácio. Sim, o que é? Eu estou faminto. Você sempre está. Eu sei. Então, Huxley acordou do sonho. Acho que eu devo ter sonhado. Obrigado, mas eu já tenho um. Espere um pouco. O circo. O número de jogar chicletes. Eu me lembro. Horácio e eu na cama elástica. Engraçado. Até um ruidor como Horácio se deu bem. Trabalho em equipe. Foi o que aconteceu. Trabalho em equipe. Toma, Sam. Pegue. Ah!